quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

eu tentei fugir de mim


mas aonde eu ia eu tava...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

foi-se o príncipe e suas vestes



Nada como o confrontamento consigo para entender de onde vem determinadas posturas, formas de ser.

Projeções de alguém que inconscientemente determina significados e direciona o desenvolvimento de um outro ser, com base na razão de sua vitória e o pinta com vestes imaginárias, nunca antes vistas às claras, mas intensamente impregnadas durante anos a fio.

As vestes caem...estou nú! E agora? Com que roupa eu vou?

De qual fio será a tecitura dessa nova trama? Que modelagem requer esse novo desafio? Que gentis costureiras vão me auxiliar nesse árduo ofício?

Mãos a obra!

"A principal coisa na vida, é não ter medo de ser humano" -
Pablo Casals


para ver as meninas





Mirrormask

Em maior ou menor intensidade, nossos pensamentos se encontram, se espelham.

Somos iguais, principalmente nas diferenças.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Coração Isolado (desprazer da vida)

Texto:



Eu não sei como eu faço
Para sentir o seu abraço
Nesse desprazer da vida que vivo
E o choro é o meu único amigo.
Meu coração está amargo
Totalmente isolado
E foram tantas vezes que te chamei
Mas sozinha continuei.
Nem sei se ainda encontrarei prazer na vida
Só sei que peguei um caminho só de ida
Mas para onde eu não sei
Porque o desprazer é maior do que imaginei.
Ah! Que lágrima é essa que insiste em rolar
Percorrendo o meu rosto e caindo no mesmo lugar
Onde sempre encontro meu coração
Totalmente em pedaços pelo chão.
As paredes de minha mente estão negras
E em cada uma delas estão minhas tristezas
Sufocando-me a cada lágrima caída
Como se estivesse indo embora partes da minha vida.
E naquela noite você não falou nada
Deixou-me só à beira de uma estrada
Que me levou só de ida...
Você não evitou que ela me levasse para
Longe de sua vida.
Por que está tudo assim...
Olhe minhas lagrimas ao chão bem perto de mim.
Eu vivo um desprazer da vida
Em uma estrada só de ida
Por onde eu sempre vou percorrer
Mas nunca irei encontrar você.

nosso mais belo plano, desperdiçado





ali ficou



em um tempo leve
em um lugar belo
com registro anônimo
o amor foi possível

ali fica o sentimento
trancado
partido em chaves

E o que mais fica?
lembranças do que se foi
esperanças não vividas
sozinho,
ali, agarrado
com frio
banhado dia após dia
em lágrimas

o que sentir?
o que pensar?
por que sair?
por que não fugir?
por que ficar?

se foi



quando o amor não é o suficiente para se estar junto.

domingo, 15 de agosto de 2010


Imagem: Alberto Ruggieri

sexta-feira 13 de agosto de 2010. Uma data a ser lembrada, o início de um fim desejado e há muito pedido, só agora atendido. Parte de um verdadeiro autoconhecimento, por vezes desconfiado mas nem de longe, inteiramente elucidado.

Como pude viver todos esses anos sem perceber o que de fato se passava? Só agora penso como estava no automático, vivendo situações repetidamente iguais.

Os dias se passam, os anos pesam e nada mudou em relação ao que até então me impede de ser, de crescer, de acreditar em um limite para além de onde a vista pode alcançar.

Sinto que encontrei o fio de Ariadne, mas antes preciso matar a fera que me consome e ainda ter a força e a serenidade de percorrer o caminho de volta.

A vida, a minha vida, é algo muito precioso e ainda que esteja um pouco embaçada, um tanto quanto assoberbada, por vezes mirrada, tenho certeza! Para mim, assim como para alguns poucos companheiros de caminhada, ela tem um grande valor e ainda sinto aqui por dentro um brilho potencial a ser desenvolvido, lapidado, irradiado.

Nada como uma dose cavalar de realidade, principalmente quando anuncia a cura.

Derrepente o véu se levanta e o espelho está ali, inevitável. As várias camadas se apresentam, as várias imagens se intercalam, sentimentos relembrados, memórias a flor da pele. Coisa nada fácil. Na crueza do momento, o reconhecimento de que o processo precisa ser iniciado, e com ele a esperança: não serei mais o mesmo, graças a Deus!

Há que se ter coragem, leveza, constância e, sobretudo, fé.

Certamente, não me fiz claro, e nem tenho essa pretensão. Na complexidade do emprendimento, fico apenas com essas palavras que já estão de bom tamanho.

Só mais algumas palavras:

Não estou só. Mais uma vez sou grato ao Poder Superior.

domingo, 1 de agosto de 2010

quando o universo conspira...



Me desculpe se blasfemo...mas depois de um dia como o de ontem, e hoje de um pedido assim tipo, acho que estou enlouquecendo, cheguei a seguinte conclusão:

Deus existe e lê e-mail.

Uma nova chance de trilhar um outro caminho chega e agradeço a Força Universal pela oportunidade (já supondo que Ela sabe também desse post)

Agora é se preparar para o que há de vir.

Siguiente destino, Uruguay

segunda-feira, 19 de julho de 2010

garota esperta



Haja preparo para ser pai nos dias de hoje...

- Pai, o senhor conhece o Beach Park?
- Filha, fui uma vez há muito tempo atrás, posso até dizer que não conheço pois lá já mudou muito pelo que eu vejo na televisão.
- Será que tudo que mostram na tv é verdade?
- E porque não haveria de ser? Eles não estão mostrando?
- Ora pai, eles podem ter feito aquilo tudo no computador e colocaram na tv só pra gente ter vontade de ir.
- ...

Vitória tem sete anos e o dna das crianças de um novo tempo...

O que vem por aí? : )

clareando...mas nem tanto



As coisas parecem entrar em um novo ciclo, menos líquido, mais sólido. Ainda não há motivos para soltar fogos e gritar ao mundo em tons altos de alegria. Há, no entanto, uma vontade, um desejo de ser melhor, de estar bem e de querer fazer o bem.

A vida insiste em não facilitar, tenho consciência que isso é fruto da minha prória imaturidade. Ainda assim, existe em mim uma centelha do amor que tudo pode, pronta para se ampliar, reluzir, esbrandecer, precisa apenas de uma oportunidade, digo, da oportunidade tão esperada.

Dias a fio, ora no fio da espada que me encolhe, ora no fio da teia que se constrói, ora no fio de luz que me orienta, ora no fio que ainda me liga ao meu amor.

Três meses se foram...é certo que há algo mais leve, ainda que não inteiro, já é alguma coisa. De longe não é o suficiente, nem de longe...

Ainda dói, mas diferente. Não digo que é menos dolorido, apenas diferente.

Contando os dias: mais um dia a menos. Quando virá o tempo de ter dias a mais?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

suspenso



Que tempo é esse?
Por mais que voe
é parado
petrificado

Por que não seguir em frente?
Por que não sentir?
Por que não esperar?

Ainda que a dor cresça
ainda que o tempo envelheça
ainda assim
o amor sustenta
apesar de sustado
no limbo de um tempo infinito

Aqui só a escoadura
de um silêncio que não cala
de uma dor à pele
de um fogo contido
de uma cachoeira ininterrupta

Estar aqui ou ali?
Que diferença faz?
Nenhuma sem você

E o mêdo se instala
e o tempo novamente para
Serei apenas alguém com quem contar?
Alguém na sala de estar?
Apenas alguém?
Quem?
Nem eu sei

Mais um dia a menos
em uma existência sem sentido
sem o seu sentimento
Amanhã?
Mais um dia a menos...
parado
petrificado

direto da cafeteria

“Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia”

José Saramago

terça-feira, 15 de junho de 2010

sem título, com pesar

companheira de realidade
dolorido desejo de algo
desejo de vida.


sábado, 12 de junho de 2010

esse dia



dia sem flor
outrora de semente
que hoje sente
e fala
e ama
e cresce
muito rápido até

dia sem cor
de outra forma
não seria
e seria
se hoje já fosse vida
em minha vida
na sua vida

dia, esse dia
um dia meu
um dia seu
dia nosso
nosso dia

dia de troca
não mais
fora no passado
no presente
sem presente

diausência
diarragaido
dianestesiado
diaflitivo
diadensado
diamuado

dia iniciado
não querido em vão
arrastado
interminável

dia de palavras
pensadas
não ditas
benditas
embargadas
proibidas

dia de sentimentos
pujantes e contidos
proibidos
mas percebidos
evitando doê-los
a saída, fingí-los
será que percebi errado de novo?
será que alguma vez percebi errado?

não!
esse dia não mais aqui está
e nem posso esperar
nem sei se virá...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

big bang

O terceiro livro que ilustrei também foi um dos mais difícéis de resolver, pois fala de um assunto do qual não tenho referências visuais. O início das coisas.

Fernando Paixão, em ritmo de cordel, nos leva a um passado longínquo do qual não lembramos, só ouvimos falar.

Big Bang em Cordel leva esse nome em sua primeira tiragem, já na segunda edição, e já deve estar sendo impressa, se chama Como Tudo Começou.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Crônicas de Martha



Em meio a um momento não muito fácil, textos são lidos embebidos do poder de fazer o tempo parar, uma trégua para o que há de belo, de sutil, de delicado... já os sinto falta.

Não é a primeira vez que tenho contato com o texto de Martha Medeiros, semestre passado estudamos o Divã, aquele que virou filme, porém, desde então não li mais nada dela. Nesta segunda, no entanto, não li mas ouvi atentamnte algumas das crônicas do livro Doidas e Santas.

Em seguida, uma das que mais gostei.

Obrigada por insistir

Até o mais seguro dos homens e a mais confiante das mulheres já passaram por um momento de hesitação, por dúvidas enormes e também dúvidas mirins, que talvez nem merecessem ser chamadas de dúvidas, de tão pequenas. Vácuos, seria melhor dizer. Devo ir a esse jantar, mesmo sabendo que a dona da casa não me conhece bem? Será que tiro o dinheiro do banco e invisto nessa loucura? Devo mandar um e-mail pedindo desculpas pela minha negligência? Nessa hora, precisamos de um empurrãozinho.

E é aos empurradores que dedico esta crônica, a todos aqueles que testemunham os titubeios alheios e dizem: vá em frente!

"Obrigada por insistir para que eu pintasse, escrevesse, atuasse, obrigada por perceber em mim um talento que minha autocrítica jamais permitiria que se desenvolvesse."

"Obrigada por insistir para que eu fosse visitar meu pai no hospital, eu não me perdoaria se não o tivesse visto e falado com ele uma última vez, eu não teria idose continuasse sendo regido apenas pela minha teimosia e pelo meu orgulho."

"Obrigada por insistir para que eu conhecesse Veneza, do contrário eu ficaria para sempre fugindo de lugares turísticos e me considerando muito esperto e com isso teria deixado de conhecer a cidade mais surreal e encantadora que meus olhos já viram."

"Obrigada por insistir para que eu fizesse o exame médico, para que eu não fosse covarde diante das minhas 15 fragilidades, só assim pude descobrir o que trago no corpo e tratá-lo a tempo. Não fosse por você, eu teria deixado este caroço crescer no meu pescoço e me engolir com medo e tudo."

"Obrigada por insistir para eu voltar pra você, para eu deixar de ser adolescente e aceitar uma vida a dois, uma família, uma serenidade que eu não suspeitava. Eu não sabia que amava tanto você e que havia lhe dado boas pistas sobre isso, como é que você soube antes de mim?"

"Obrigada por insistir para que eu deixasse você, para que eu fosse seguir minha vida, obrigada pela sua confiança de que seríamos melhores amigos do que amantes, eu estava presa a uma condição social que eu pensava que me favorecia, mas nada me favorece mais do que esta liberdade para a qual você, que me conhece melhor do que eu mesma, apresentou-me como saída."

"Obrigada por insistir para que eu não fosse àquela festa, eu não teria agüentado ver os dois juntos, eu não teria aturado, eu não evitaria outro escândalo, obrigada por ter ficado segurando minha mão e ter trancado minha porta."

"Obrigada por insistir para eu cortar o cabelo, obrigada por insistir para eu dançar com você, obrigada por insistir para eu voltar a estudar, obrigada por insistir para eu não tirar o bebê, obrigada por insistir para eu fazer aquele teste, obrigada por insistir para eu me tratar."

Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhes diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo.

23 de outubro de 2005

segunda-feira, 7 de junho de 2010

domingo, 6 de junho de 2010

mais um dia...



de volta a realidade
"estamos cá dentro de nós, sós..."

novos poetas e um recém chegado


[imagem: Gustav Klint]

Hoje tive uma grata surpresa, logo após cair o novo dia embaixo de um lindo flamboyant vermelho. Recebi o privilégio de participar de uma roda de poesia que estavam presentes Carlos Drummond de Andrade, Manuel de Barros, Roberto Evangelista e Tiago de Melo, claro que em poesias lindamente proferidas.

Como já comentei por aqui, estou ainda debruçado sobre um livro com as poesias de Drummond e hoje foram lidas duas poesias que li a pouquíssimos dias: Retrato de Família e Cor. Um momento ímpar, no qual também foi falado um pouco sobre a vida desse grande mineiro. Melhor que falar dele, é ouvi-lo em seus versos:

O tempo passa? Não passa

"O tempo passa? Não passa no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça do amor, florindo em canção.
O tempo nos aproxima cada vez mais,
nos reduza um só verso e uma rima de mãos e olhos, na luz.
Não há tempo consumido nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido de amor e tempo de amar
O meu tempo e o teu, amada, transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada, amar é o sumo da vida.
São mitos de calendário tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário é um nascer toda hora.
E nosso amor, que brotou do tempo,
não tem idade pois só quem ama escutou o apelo da eternidade."



Continuando, belos poemas de um novo poeta, novo para mim pois, na verdade, é outro expoente da poesia brasileira. Trata-se de Manoel de Barros que se alimenta da natureza como sua inspiração. Segue um trechinho de uma das suas composições:

Mundo Pequeno
(do livro "O Livro das Ignorãças")

O mundo meu é pequeno, Senhor.
Tem um rio e um pouco de árvores.
Nossa casa foi feita de costas para o rio.
Formigas recortam roseiras da avó.
Nos fundos do quintal há um menino e suas latas
maravilhosas.
Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas
com aves.
Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os
besouros pensam que estão no incêndio.
Quando o rio está começando um peixe,
Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter
os ocasos.


Em seguida, Roberto Evangelista. Um grande artista que tem um trabalho primoroso com Haicais.

"No espelho das águas
a nave solar mergulha
flamejante.
"

Por fim, Thiago de Mello. Como pude passar tanto tempo sem conhecê-lo? Fiquei estasiadamente impressionado ao ouvir o texto que se segue:

Os Estatutos do Homem
(Ato Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.


sem mais palavras...



terça-feira, 1 de junho de 2010

certas palavras



Certa vez ouvi que um poeta falou, de algumas palavras serem em si, a própria poesia e citou o exemplo da palavra MARAVILHA.

O mar
O ar
A ave
A ilha.

domingo, 30 de maio de 2010

filhos do paraíso



Ali, um menino de 9 anos, tão pequeno e de um coração tão grande.

Terminei de assistir, agora a pouco, um lindo filme iraniano, Filhos do Paraíso, de Majid Majidi. Poesia pura! Logo nas primeiras cenas me perguntei: Como é possível algo tão sutil, tão fino, artísticamente falando, vir de um lugar repleto de terror e feiura?

Quem estava comigo, de pronto respondeu: Vai ver, é exatamente por isso...

Ela tem toda a razão, mais uma vez. Quanto maior a escuridão, maior a necessidade de haver a luz. E o filme mostra isso o tempo inteiro. Diante de tanta dificuldade e incompreensão, o menino Ali exala humanidade.

Um belo filme em conteúdo e imagens, merecido de ser prestigiado.

seu amor



Alimento
lamento
mirradas vezes, sorvê-lo
aos poucos, perdê-lo
silenciosamente, doê-lo

Submeter-se a digerí-lo
mesmo na querência de saboreá-lo
sem o mêdo de temê-lo
em seus gostos, sentí-lo
mas antes partí-lo
na ilusão de multiplicá-lo

Apesar do desejo de infinitá-lo
vejo o tempo diminuí-lo
exaurí-lo

NÃO!

Quero sim aumentá-lo
vertiginosamente expandí-lo
pacientemente esperá-lo
ardorosamente acreditá-lo
humildimente pedí-lo
amorosamente,
vivê-lo
tê-lo
infinitá-lo
infinitá-lo
infinitá-lo

Paratii



Há pouco tempo li um livro indicado por uma pessoa ávida em leituras diversas. Dentre tantos outros a escolher, veio a sugestão:

- Leva esse, é bem bonito!

Pronto! Essas são as palavrinhas mágicas, pelo menos para mim. Foi o suficiente preu colocar embaixo do braço e trazer pra dentro de mim.

O livro se chama Paratii, de Amyr Klink, um diário de bordo que virou livro: conta a navegação solitária, durante 13 meses, pelas águas entre os Pólos Sul e Norte. Melhor: pelos gelos da Antártida e do Ártico.

Mais que isso, mostra a descoberta diária de um branco polar multicolorido, de um silêncio musicado, de dias congelados e inéditos, de uma nudez da alma, de uma humanidade ímpar, de uma poesia sem fim.

Escrevo sobre esse livro agora por lembrar de uma passagem nele narrada, na qual Amyr gritava determinadas palavras ao infinito, apenas para recebê-las de volta em eco, aí penso: algumas palavras, deveriam ter eco independente de se estar em um deserto de gelo.

Onde estão as ditas palavras que lancei ao vento?

mais Drummond



O Enterrado Vivo

Carlos Drummond de Andrade

É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.

É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.

É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.

É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

teu brilho



Não chores minha vida
não olhes
não dê ouvidos
escuta a verdade
sintas nela a oportunidade
de um renovo

Dura
crua
necessária.
Quando vem é implacável
não alisa
mostra
e desmonta o aparente
que mente
externa o que de fato se sente
cala

Não chores minha vida
aquele que aponta
sequer sabe se sabe
sequer sabe o que faz
desequilibra
em ti projeta suas frustações
digno é de nada
nem de um pensamento fugidio
nem de um grão apodrecido

Não lamentes meu amor
o universo sempre conspira
quando, de fato e com toda a força
se quer
mesmo sem saber
nem acreditar
o infinito ainda labora

Não permita minha vida
que perca-se o teu brilho
tão inspirado
tão humano
tão azulado
eterno

Hoje tristeza
amanhã alívio
mais na frente
amor.

domingo, 23 de maio de 2010

propício



Tempo
nem o seu,
nem o meu
O certo

Por vezes controlado
impressões humanas
Em verdade
Soberano
Senhor

Resta-nos
a espera
novamente ela
com Ele matrimoniada
companheira

Nesse meio tempo
cabe-nos a difícil arte de esticar
o que se chama espera
em esperança

sábado, 22 de maio de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

simples mente


[imagem: Rafael Fraga]


Andar a pé tem suas vantagens.


Outro dia de manhã, voltando da faculdade, depois de uma chuva típica de Fortaleza daquelas que anuncia o desmanche do céu em água e acaba em quinze minutos, na Santos Dumont, quase esquina com Dom Manuel, encontro caído na calçada um passarinho, assim identifiquei.


Era miúdo, cabia na palma da mão. Aproximei-me, ele estava estático com a barriga voltada pra cima e pensei não ter mais vida, mesmo assim, baixei e o peguei. Só aí pude perceber que além de vivo, era um beija flor... uma das coisas mais belas que pude ter nas mãos. Verde metálico tornava-se furta-cor ao trocar de ângulo, o bico de um pretume fosco, parecia um plástico muito delicado, caprichosamente esculpido.


Ele se tremia todo, sem se mexer. Provavelmente havia caído com o peso da chuva em sua plumagem.


Pensei: o que faço agora? Cheguei a direcionar a pergunta ao alto, ao autor de tão linda criatura. Nada de resposta, só a vontade de levá-lo comigo. E assim o fiz, envolvido na minha mão ele foi até o centro da cidade, nesse dia precisei comprar uma rosa para alguém de longe que estava para chegar.


Fomos nós. Eu, preocupadíssimo dele dar seu derradeiro suspiro ali mesmo na minha mão, ele, dormindo, tranqüilo, confortável como em seu próprio ninho. Vez em quando eu dava uma mexida pra garantir que ele já não tinha ido, aí eu olhava bem no seu olho minúsculo e ele olhava pra mim também, certamente assustado, já que meu não é lá muito pequeno.


Mas enfim, criou-se ali uma relação de confiança, ele não me bicaria e eu faria alguma coisa por ele, mesmo sem saber o que.


Chegando em casa, peguei um musgo que usava para artesanato e preparei uma “cama”. Coloquei ao lado um pequeno frasco cheio de água com açúcar (não é néctar, mas já é alguma coisa). Nenhuma reação dele. Resolvi insistir colocando o frasco em contato com o seu bico. Eis que um filete transparente, quase inexistente, começa a sorver com desespero a doce solução.


Ainda sem saber o que ia acontecer, deixei-o quieto e fui colocar a rosa na água. Quando retorno ele não mais estava. Procurei-o agoniado! Por um momento achei que havia voado pela janela, mas não, estava embaixo da mesa, caído novamente. Tentou voar e não conseguiu.


Por medida de segurança para ele, coloquei uma lixeira aramada por cima de sua cama, o que evitaria novas tentativas mal sucedidas.


Fui rapidamente ao supermercado e quando retornei, ele estava com as patas presas na trama da lixeira, como um preso clamando por soltura.


Tudo bem! Vamos tentar mais uma vez, dessa vez juntos.


Peguei-o com cuidado e o coloquei em um de meus dedos, no que ele segurou com firmeza, senti que estava melhor. Confiante, mas com um aperto no coração, tranquilamente estendi o braço através da janela, moro no terceiro andar de um prédio, não forcei nada, não mexi o braço, nem mesmo o dedo.


Uma leve brisa veio e nesse momento ele foi junto, impressionantemente ligeiro, voou pelo céu com toda sua vitalidade, em um rasgo de liberdade, indo de encontro a algum néctar verdadeiro.


Como é bela a natureza!




quinta-feira, 20 de maio de 2010

Lord Von e a Paulistinha

Esse foi o segundo livro que ilustrei e também um dos que mais me diverti.

A história trata de uma relação complicada entre um Waimaraner e uma Fox paulistinha. Sua autora, Elvira Nadai, teve uma grande sensibilidade ao tratar de temas como a morte, além de criar situações divertidíssimas entre os dois.

Para esse livro também fiz o projeto gráfico.

Boa leitura!


chão de infância

algumas coisas acontecem na nossa vida, sem nem mesmo procurarmos ou entendermos o porquê .

Um belo dia fui convidado a participar de uma reunião a respeito de uma coleção de livros infantis. Foram convidados autores, ilustradores e eu (?). O convite partiu de um querido amigo, Fabiano dos Santos, achando eu que seria o responsável pelo design da coleção.

Então os autores e ilustradores foram se apresentando, discorrendo sobre suas vastas experiências com livros infantis, e eu lá, ainda achando que ia me apresentar como designer. Até que, para minha surpresa, o designer se apresenta, já dizendo que vai realizar aquele trabalho.

Pronto! E agora? E o que eu tenho a ver com aquilo tudo?

Até que chega a vez de me apresentar, e não deu outra, tive que ser sincero:

- Sou Sérgio Melo, designer, e não faço a menor idéia porque estou aqui...

Maior que a surpresa foi o meu espanto aos saber que seria um dos ilustradores. Ôpa! Eu que nem sei desenhar direito e cada vez que preciso desenhar é, bem dizer, um parto, ter que ilustrar um livro? Tem alguma coisa errada aí...

Mas não, era verdade mesmo e Fabiano ainda garantiu que eu estava sendo modesto. Pense!

Enfim, passado o momento tenso, veio a responsabilidade de dar conta do livro que foi muito difícil e muito prazeroso. A cada nova página pronta um sorriso meu e outra da minha filha. Ôpa! Acho que estou no caminho certo.

O livro se chama Chão de Infância de autoria da querida Vânia Vasconcelos, também estreante na época, na arte de escrever livros infantis.

Esse, que já está na segunda edição, rendeu alguns outros convites, que logo também estarão por aqui.

Divirtam-se! Para aumentar é só clicar em cima.


por falar em amor...

tenho dois grandes amores, todos em franco crescimento. Um deles é a coisa mais linda e o outro também :). Vitória, a menina mais linda do mundo, é também um embriãozinho de artista. Gosta de arte, mais especificamente de música e desenho. Estuda piano e violino e fez uma apresentação no final do ano passado.

A mãe coruja, quase não consegue filmar direito, até porque tava nos bastidores, mas deu pra registrar um pouquinho desse momento tão especial.


[vídeo: Waleska Félix]

aí fiz um registro numa ilustra que ainda não foi colorida


[imagem: Sérgio Melo]

e a original. Né linda?


[imagem: Waleska Félix]

hoje já tá com os dentes de volta. rs
Por fim uma música que dediquei a ela e pro outro amor também...

The Secret of Kells

Lindo! muito lindo mesmo. A narrativa é interessante, mas visualmente falando, é muito, muito bom.
O filme é uma animação que trata de uma história inspirada no Livro de Kells, também conhecido como Grande Evangeliário de São Columba, é um manuscrito ilustrado com motivos ornamentais, feito por monges celtas por volta do ano 800 AD no estilo conhecido por arte insular.

A linguagem é a de ilustrações para livros infantis, apesar de usar diversas técnicas.




Alguns links sobre o Livro de Kells
:

http://www.youtube.com/watch?v=R2WnkLav0-w

http://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Kells

http://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Book_of_Kells

aprovação pendente

impressionante como algumas frases trazem em si uma potencialidade que encontra um significado individual, ainda que deslocado do seu real sentido.

aprovação pendente de um depoimento ou de um sentimento?

amar



Recentemente me permiti ler poesias e confesso que ainda não entendo algumas (vai ver elas não são pra ser entendidas mesmo), apesar disso, tenho descoberto um novo universo de possibilidades e desenvolvendo uma outra forma de ver as coisas.

Atualmente estou lendo a Antologia Poética de Carlos Drummond de Andrade. Algumas poesias são velhas conhecidas...no meio do caminho tinha uma pedra... outras são pequenos achados, como essa:

Amar
Carlos Drummond de Andrade

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

como?

como pode ser?
como é possível viver sem respirar
e o pássaro sem voar
o palhaço sem fazer rir

eu sem poder falar
um tantim assim
que seja...
não sou eu
não sou eu
alguma outra coisa
que leva meu nome

me arresponda por favor...


[imagem: Sérgio Melo]

Valei-me meu padim!
Tú que tá aí, junto com todos os santos de plantão
intercedei e alumiai...

novos horizontes

âncora


[imagem: Sérgio Melo]

É uma questão de tempo...

Cinco palavras

Frase coluna
Âncora de um sentimento


Firme no porto

espera seu destino:

Ser recolhida

para, enfim, permitir

uma longa

e nova viagem.

fabuloso destino



Qual será meu fabuloso destino?

Tornar ao lugar conquistado?

Buscar outros desconhecidos?


A espera algoz ainda é

a única companheira

certeza, só um desejo

Clareza

Tranquilidade

um luxo


Como pude me distanciar tanto

do que realmente importa?

Feitos

Mal feitos

Colheita


E o que mais tem nessa colheita?

Além da indestrutível espera

há uma resposta junto dela

capaz de modificar

minha vida por completo

É o mais certo


Para cada resposta

um novo caminho


Um

já iniciado

não dá certezas

mas é depositário

de todo o meu querer


Noutro

não vejo um palmo sequer

nebuloso

em essência, duvidoso

Desse, não minto, tenho medo


Não sei se há vida nele

sua pavimentação?

A dor...

aonde vai me levar?

Melhor nem pensar


De volta ao presente

só há a espera

Só.

intervalo pra mais uma canção

essa já está em outro blog que eu conheço bem. Ela bem que poderia ter sido escrita por mim...como ainda não tenho essa capacidade, pego emprestada.

chip

Comprei mais um chip só pra falar com você, mas não deu muito certo. Quando me venderam esqueceram-se de avisar que só se fala quando o outro atende.

Ainda que ele seja azul e infinito, não manda no seu coração...

Pior que agora de posse de dois chips e dois celulares, sofro em dobro por não poder ouvir tua voz.

ausência


[imagem: Sérgio Melo]


O cansaço chega

antes que o restauro

antes que outra palavra mágica.

A vontade é de declinar

Descer

Aquietar


Mas é ilusão

não há quietude em tal situação

há a ausência

do que julgava ser meu

há um sofrer até o fim dos dias

há qualquer coisa sem importância

Não há mais nada...


Triste sina temporária (espero)

a de, mesmo cansado

ter que seguir em frente

pois a palavra final

ainda não existe

ou está presa

assim como eu.

noite adentro




Contando os minutos

como quem costura

uma a uma

miçangas de uma veste

que logo vai brilhar

em um encontro anunciado


Subitamente

o fio se quebra

tudo cai

desfaz-se

sem explicação alguma


E os minutos pesam

como bate-estacas

a bater

a doer

a afundar

a esmagar

Noite adentro

e por toda ela

e além dela


Meu Deus, que provação é essa?

Provas de amor precisam ser assim?

tão demoradas

tão indecisas


De onde mesmo vem a força?

Hoje já não sei mais

nem se ela existe

apesar de especialmente precisada


Que dor imensa

essa que não cessa

que fardo inerte

essa espera


De mão atadas

faminto

quase sem poder ir adiante

vazio

frio


Ela, a espera

Algoz

não se encerra

nem dá trégua

continua castigando

machucando

Noite adentro

e por toda ela

e além dela


Só me restam as palavras

por onde vazam os sentimentos

mas não trazem

a calma

a confiança

a esperança

a sua voz

nem você


Então pra quê elas?

uma daquelas noites...


hoje tô bem down, vesti até preto pra combinar. A noite não foi nada fácil, eterna...e o que me restou? Escrever, escrever e escrever. Os posts que se seguem são frutos de uma desnecessária noite iniciada com uma pequena mensagem, assim, bem pequena mesmo, mas com um efeito devastador.

Que frutos! Quisera eu, não ser merecedor de tais quitutes. São amargos, são escuros, são maduros demais, até.

As vezes fico pensando...estou me tornando uma pessoa melhor? Mais sentimental? Ou será que estou caminhando para um pessimismo?

Que noite...

"tristeza não tem fim, felicidade sim"