
Há pouco tempo li um livro indicado por uma pessoa ávida em leituras diversas. Dentre tantos outros a escolher, veio a sugestão:
- Leva esse, é bem bonito!
Pronto! Essas são as palavrinhas mágicas, pelo menos para mim. Foi o suficiente preu colocar embaixo do braço e trazer pra dentro de mim.
O livro se chama Paratii, de Amyr Klink, um diário de bordo que virou livro: conta a navegação solitária, durante 13 meses, pelas águas entre os Pólos Sul e Norte. Melhor: pelos gelos da Antártida e do Ártico.
Mais que isso, mostra a descoberta diária de um branco polar multicolorido, de um silêncio musicado, de dias congelados e inéditos, de uma nudez da alma, de uma humanidade ímpar, de uma poesia sem fim.
Escrevo sobre esse livro agora por lembrar de uma passagem nele narrada, na qual Amyr gritava determinadas palavras ao infinito, apenas para recebê-las de volta em eco, aí penso: algumas palavras, deveriam ter eco independente de se estar em um deserto de gelo.
Onde estão as ditas palavras que lancei ao vento?

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