sobre coisas da vida,sentimentos,espiritualidade, experimentos, poesia, arte,design, música, cinema e outras coisas diretamente ligadas
ao lado sutil da existência.
Ali, um menino de 9 anos, tão pequeno e de um coração tão grande.
Terminei de assistir, agora a pouco, um lindo filme iraniano, Filhos do Paraíso, de Majid Majidi. Poesia pura! Logo nas primeiras cenas me perguntei: Como é possível algo tão sutil, tão fino, artísticamente falando, vir de um lugar repleto de terror e feiura?
Quem estava comigo, de pronto respondeu: Vai ver, é exatamente por isso...
Ela tem toda a razão, mais uma vez. Quanto maior a escuridão, maior a necessidade de haver a luz. E o filme mostra isso o tempo inteiro. Diante de tanta dificuldade e incompreensão, o menino Ali exala humanidade.
Um belo filme em conteúdo e imagens, merecido de ser prestigiado.
Há pouco tempo li um livro indicado por uma pessoa ávida em leituras diversas. Dentre tantos outros a escolher, veio a sugestão:
- Leva esse, é bem bonito!
Pronto! Essas são as palavrinhas mágicas, pelo menos para mim. Foi o suficiente preu colocar embaixo do braço e trazer pra dentro de mim.
O livro se chama Paratii, de Amyr Klink, um diário de bordo que virou livro: conta a navegação solitária, durante 13 meses, pelas águas entre os Pólos Sul e Norte. Melhor: pelos gelos da Antártida e do Ártico.
Mais que isso, mostra a descoberta diária de um branco polar multicolorido, de um silêncio musicado, de dias congelados e inéditos, de uma nudez da alma, de uma humanidade ímpar, de uma poesia sem fim.
Escrevo sobre esse livro agora por lembrar de uma passagem nele narrada, na qual Amyr gritava determinadas palavras ao infinito, apenas para recebê-las de volta em eco, aí penso: algumas palavras, deveriam ter eco independente de se estar em um deserto de gelo.
Não chores minha vida não olhes não dê ouvidos escuta a verdade sintas nela a oportunidade de um renovo
Dura crua necessária. Quando vem é implacável não alisa mostra e desmonta o aparente que mente externa o que de fato se sente cala
Não chores minha vida aquele que aponta sequer sabe se sabe sequer sabe o que faz desequilibra em ti projeta suas frustações digno é de nada nem de um pensamento fugidio nem de um grão apodrecido
Não lamentes meu amor o universo sempre conspira quando, de fato e com toda a força se quer mesmo sem saber nem acreditar o infinito ainda labora
Não permita minha vida que perca-se o teu brilho tão inspirado tão humano tão azulado eterno
Outro dia de manhã, voltando da faculdade, depois de uma chuva típica de Fortaleza daquelas que anuncia o desmanche do céu em água e acaba em quinze minutos, na Santos Dumont, quase esquina com Dom Manuel, encontro caído na calçada um passarinho, assim identifiquei.
Era miúdo, cabia na palma da mão. Aproximei-me, ele estava estático com a barriga voltada pra cima e pensei não ter mais vida, mesmo assim, baixei e o peguei. Só aí pude perceber que além de vivo, era um beija flor... uma das coisas mais belas que pude ter nas mãos. Verde metálico tornava-se furta-cor ao trocar de ângulo, o bico de um pretume fosco, parecia um plástico muito delicado, caprichosamente esculpido.
Ele se tremia todo, sem se mexer. Provavelmente havia caído com o peso da chuva em sua plumagem.
Pensei: o que faço agora? Cheguei a direcionar a pergunta ao alto, ao autor de tão linda criatura. Nada de resposta, só a vontade de levá-lo comigo. E assim o fiz, envolvido na minha mão ele foi até o centro da cidade, nesse dia precisei comprar uma rosa para alguém de longe que estava para chegar.
Fomos nós. Eu, preocupadíssimo dele dar seu derradeiro suspiro ali mesmo na minha mão, ele, dormindo, tranqüilo, confortável como em seu próprio ninho. Vez em quando eu dava uma mexida pra garantir que ele já não tinha ido, aí eu olhava bem no seu olho minúsculo e ele olhava pra mim também, certamente assustado, já que meu não é lá muito pequeno.
Mas enfim, criou-se ali uma relação de confiança, ele não me bicaria e eu faria alguma coisa por ele, mesmo sem saber o que.
Chegando em casa, peguei um musgo que usava para artesanato e preparei uma “cama”. Coloquei ao lado um pequeno frasco cheio de água com açúcar (não é néctar, mas já é alguma coisa). Nenhuma reação dele. Resolvi insistir colocando o frasco em contato com o seu bico. Eis que um filete transparente, quase inexistente, começa a sorver com desespero a doce solução.
Ainda sem saber o que ia acontecer, deixei-o quieto e fui colocar a rosa na água. Quando retorno ele não mais estava. Procurei-o agoniado! Por um momento achei que havia voado pela janela, mas não, estava embaixo da mesa, caído novamente. Tentou voar e não conseguiu.
Por medida de segurança para ele, coloquei uma lixeira aramada por cima de sua cama, o que evitaria novas tentativas mal sucedidas.
Fui rapidamente ao supermercado e quando retornei, ele estava com as patas presas na trama da lixeira, como um preso clamando por soltura.
Tudo bem! Vamos tentar mais uma vez, dessa vez juntos.
Peguei-o com cuidado e o coloquei em um de meus dedos, no que ele segurou com firmeza, senti que estava melhor. Confiante, mas com um aperto no coração, tranquilamente estendi o braço através da janela, moro no terceiro andar de um prédio, não forcei nada, não mexi o braço, nem mesmo o dedo.
Uma leve brisa veio e nesse momento ele foi junto, impressionantemente ligeiro, voou pelo céu com toda sua vitalidade, em um rasgo de liberdade, indo de encontro a algum néctar verdadeiro.
Esse foi o segundo livro que ilustrei e também um dos que mais me diverti.
A história trata de uma relação complicada entre um Waimaraner e uma Fox paulistinha. Sua autora, Elvira Nadai, teve uma grande sensibilidade ao tratar de temas como a morte, além de criar situações divertidíssimas entre os dois.
algumas coisas acontecem na nossa vida, sem nem mesmo procurarmos ou entendermos o porquê .
Um belo dia fui convidado a participar de uma reunião a respeito de uma coleção de livros infantis. Foram convidados autores, ilustradores e eu (?). O convite partiu de um querido amigo, Fabiano dos Santos, achando eu que seria o responsável pelo design da coleção.
Então os autores e ilustradores foram se apresentando, discorrendo sobre suas vastas experiências com livros infantis, e eu lá, ainda achando que ia me apresentar como designer. Até que, para minha surpresa, o designer se apresenta, já dizendo que vai realizar aquele trabalho.
Pronto! E agora? E o que eu tenho a ver com aquilo tudo?
Até que chega a vez de me apresentar, e não deu outra, tive que ser sincero:
- Sou Sérgio Melo, designer, e não faço a menor idéia porque estou aqui...
Maior que a surpresa foi o meu espanto aos saber que seria um dos ilustradores. Ôpa!Eu que nem sei desenhar direito e cada vez que preciso desenhar é, bem dizer, um parto, ter que ilustrar um livro? Tem alguma coisa errada aí...
Mas não, era verdade mesmo e Fabiano ainda garantiu que eu estava sendo modesto. Pense!
Enfim, passado o momento tenso, veio a responsabilidade de dar conta do livro que foi muito difícil e muito prazeroso. A cada nova página pronta um sorriso meu e outra da minha filha. Ôpa! Acho que estou no caminho certo.
O livro se chama Chão de Infância de autoria da querida Vânia Vasconcelos, também estreante na época, na arte de escrever livros infantis.
Esse, que já está na segunda edição, rendeu alguns outros convites, que logo também estarão por aqui.
tenho dois grandes amores, todos em franco crescimento. Um deles é a coisa mais linda e o outro também :). Vitória, a menina mais linda do mundo, é também um embriãozinho de artista. Gosta de arte, mais especificamente de música e desenho. Estuda piano e violino e fez uma apresentação no final do ano passado.
A mãe coruja, quase não consegue filmar direito, até porque tava nos bastidores, mas deu pra registrar um pouquinho desse momento tão especial.
Lindo! muito lindo mesmo. A narrativa é interessante, mas visualmente falando, é muito, muito bom. O filme é uma animação que trata de uma história inspirada no Livro de Kells, também conhecido como Grande Evangeliário de São Columba, é um manuscrito ilustrado com motivos ornamentais, feito por monges celtas por volta do ano 800 AD no estilo conhecido por arte insular.
A linguagem é a de ilustrações para livros infantis, apesar de usar diversas técnicas.
Recentemente me permiti ler poesias e confesso que ainda não entendo algumas (vai ver elas não são pra ser entendidas mesmo), apesar disso, tenho descoberto um novo universo de possibilidades e desenvolvendo uma outra forma de ver as coisas.
Atualmente estou lendo a Antologia Poética de Carlos Drummond de Andrade. Algumas poesias são velhas conhecidas...no meio do caminho tinha uma pedra... outras são pequenos achados, como essa:
Amar Carlos Drummond de Andrade
Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o cru, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
hoje tô bem down, vesti até preto pra combinar. A noite não foi nada fácil, eterna...e o que me restou? Escrever, escrever e escrever. Os posts que se seguem são frutos de uma desnecessária noite iniciada com uma pequena mensagem, assim, bem pequena mesmo, mas com um efeito devastador.
Que frutos! Quisera eu, não ser merecedor de tais quitutes. São amargos, são escuros, são maduros demais, até.
As vezes fico pensando...estou me tornando uma pessoa melhor? Mais sentimental? Ou será que estou caminhando para um pessimismo?
[imagem: fragmento de 'Water Serpents II' - Gustav Klint]
Você tem o dom de fazer desfazer e meu dia ser feliz.
Um toque de mágica uma palavra, apenas uma força tremenda capaz de içar todo o sentimento Denso Imenso
Umedece Desmancha Extermina Alivia
Não mais o nó não mais o grito contido não mais o choro incontido não mais o escuro e sim o azul
Um sopro de energia divina que anima que levanta que retorna o sonho que alimenta o desejo de ter não só uma palavra mas todas elas e todas as outras a serem criadas principalmente as de carinho as de cumplicidade as de amor
Ah, meu amor... tão poucas são as que hoje recebo
Onde ficaram todas as que me pertenceram? Faladas Ouvidas Sentidas Guardadas?
Quero te ouvir pra sempre quero te sentir sem fim.
apesar de não saber fotografar profissionalmente, gosto muito e pretendo desenvolver mais esse lado. Enquanto o conhecimento não chega, sobram as incursões intutitivas nessa bela arte.
em 2008 promovi um workshop de construção de diários gráficos com Renato Alarcão e é óbvio que eu participei.
Pois então, de lá pra cá a vontade era grande de por em prática o que foi visto na oficina mas nunca dava tempo. Sabe aquelas coisas que a gente vai deixando pra depois? Pois é, mas enfim, ano passado resolvi encarar o desafio e não me arrependi.
Desde então sou assíduo visitante do meu próprio diário gráfico além de fazer alguns caderninhos costurados a mão para vender (www.kolho.aquitanda.com), mas o bom mesmo é colocar desenhos, colagens, poesias e o que mais der na telha, nesse espaço livre de qualquer medo ou autocrítica.
a pouquíssimo tempo senti uma imensa necessidade de escrever algumas palavras de uma forma bela para alguém mais que especial. Desde então parece que destampou alguma coisa aqui por dentro e agora não para mais de vim novas construções. Se são boas ou não, pouco importa.
Pra mim tem sido um processo bem interessante de organização de idéias em palavras, porém de forma pictórica. Hoje são totalmente ligadas a uma situção presente, quiçá mais na frente, outros assuntos virão.
Em seguida o texto abridouro dessa nova dimensão.
A ti ofereço o meu amor há tempos sentido e agora fortalecido, aumentado, infinito.
A ti ofereço velharias rutilantes memórias concretas incompletas reminiscências do que há por vir Há que se ter fé...
A ti ofereço noites e noites a fio tecidas no mais puro amor de trama firme de urdume terno noites que viram a gente (ou será a gente que vira as noites?) E são criativas e são profundas e quentes impossíveis fisicamente mas, sobretudo, nossas.
A ti ofereço poesia não pensada bem sentida nos pequenos momentos partilhados e noutros desejados
A ti ofereço um mergulho no azul piscina e o retorno a superfície de sonhos lançados nunca esquecidos apenas adormecidos
A ti ofereço mais que ombro, um colo mais que abraço, carinho mais que mão nos cabelos Re pouso
A ti ofereço o meu amor somado ao seu para o crescimento saudável do meu amor somado ao seu e o meu amor somado ao seu, quiçá a gerar um outro meu amor somado ao seu ainda não pensado e desde já desejado
A ti ofereço palavras, ações palavras, canções construções palavras sem forma, essência palavras não ditas e também as repetidas palavras não mais guardadas, verdades
A ti ofereço meu corpo meu dorso minha fissura meu prazer livre de qualquer distorção belo e cuidadoso forte e carinhoso intenso, tenso, relaxado.
A ti ofereço criações conjuntas...tão finas, tão lindas! possibilidades amenidades novas realidades
A ti ofereço como outrora falado agora confirmado a minha vida! Completa e irrestrita TOTAL com total desapego com visceral apego a você meu amor.
...não vou dizer que só sei que nada sei, porque tenho aprendido algumas coisas ao longo do tempo, principalmente de uns tempos pra cá onde tenho me descoberto a fórceps e sendo furnido a ferro quente.
Mesmo assim reconheço que ainda tenho muito a aprender e este blog vem fazer parte desse processo.
A intenção é mostrar alguns pensamentos visuais e verbais, além de outras coisas que julgar interessante constar. Não tenho o objetivo de escrever compêndios e sim de experimentar e compartilhar com quem estiver afim de curtir um pouco de arte, poesia, design e outros recortes sutis da vida, coisas que sei e também das que (ainda) não sei.