domingo, 30 de maio de 2010

filhos do paraíso



Ali, um menino de 9 anos, tão pequeno e de um coração tão grande.

Terminei de assistir, agora a pouco, um lindo filme iraniano, Filhos do Paraíso, de Majid Majidi. Poesia pura! Logo nas primeiras cenas me perguntei: Como é possível algo tão sutil, tão fino, artísticamente falando, vir de um lugar repleto de terror e feiura?

Quem estava comigo, de pronto respondeu: Vai ver, é exatamente por isso...

Ela tem toda a razão, mais uma vez. Quanto maior a escuridão, maior a necessidade de haver a luz. E o filme mostra isso o tempo inteiro. Diante de tanta dificuldade e incompreensão, o menino Ali exala humanidade.

Um belo filme em conteúdo e imagens, merecido de ser prestigiado.

seu amor



Alimento
lamento
mirradas vezes, sorvê-lo
aos poucos, perdê-lo
silenciosamente, doê-lo

Submeter-se a digerí-lo
mesmo na querência de saboreá-lo
sem o mêdo de temê-lo
em seus gostos, sentí-lo
mas antes partí-lo
na ilusão de multiplicá-lo

Apesar do desejo de infinitá-lo
vejo o tempo diminuí-lo
exaurí-lo

NÃO!

Quero sim aumentá-lo
vertiginosamente expandí-lo
pacientemente esperá-lo
ardorosamente acreditá-lo
humildimente pedí-lo
amorosamente,
vivê-lo
tê-lo
infinitá-lo
infinitá-lo
infinitá-lo

Paratii



Há pouco tempo li um livro indicado por uma pessoa ávida em leituras diversas. Dentre tantos outros a escolher, veio a sugestão:

- Leva esse, é bem bonito!

Pronto! Essas são as palavrinhas mágicas, pelo menos para mim. Foi o suficiente preu colocar embaixo do braço e trazer pra dentro de mim.

O livro se chama Paratii, de Amyr Klink, um diário de bordo que virou livro: conta a navegação solitária, durante 13 meses, pelas águas entre os Pólos Sul e Norte. Melhor: pelos gelos da Antártida e do Ártico.

Mais que isso, mostra a descoberta diária de um branco polar multicolorido, de um silêncio musicado, de dias congelados e inéditos, de uma nudez da alma, de uma humanidade ímpar, de uma poesia sem fim.

Escrevo sobre esse livro agora por lembrar de uma passagem nele narrada, na qual Amyr gritava determinadas palavras ao infinito, apenas para recebê-las de volta em eco, aí penso: algumas palavras, deveriam ter eco independente de se estar em um deserto de gelo.

Onde estão as ditas palavras que lancei ao vento?

mais Drummond



O Enterrado Vivo

Carlos Drummond de Andrade

É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.

É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.

É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.

É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

teu brilho



Não chores minha vida
não olhes
não dê ouvidos
escuta a verdade
sintas nela a oportunidade
de um renovo

Dura
crua
necessária.
Quando vem é implacável
não alisa
mostra
e desmonta o aparente
que mente
externa o que de fato se sente
cala

Não chores minha vida
aquele que aponta
sequer sabe se sabe
sequer sabe o que faz
desequilibra
em ti projeta suas frustações
digno é de nada
nem de um pensamento fugidio
nem de um grão apodrecido

Não lamentes meu amor
o universo sempre conspira
quando, de fato e com toda a força
se quer
mesmo sem saber
nem acreditar
o infinito ainda labora

Não permita minha vida
que perca-se o teu brilho
tão inspirado
tão humano
tão azulado
eterno

Hoje tristeza
amanhã alívio
mais na frente
amor.

domingo, 23 de maio de 2010

propício



Tempo
nem o seu,
nem o meu
O certo

Por vezes controlado
impressões humanas
Em verdade
Soberano
Senhor

Resta-nos
a espera
novamente ela
com Ele matrimoniada
companheira

Nesse meio tempo
cabe-nos a difícil arte de esticar
o que se chama espera
em esperança

sábado, 22 de maio de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

simples mente


[imagem: Rafael Fraga]


Andar a pé tem suas vantagens.


Outro dia de manhã, voltando da faculdade, depois de uma chuva típica de Fortaleza daquelas que anuncia o desmanche do céu em água e acaba em quinze minutos, na Santos Dumont, quase esquina com Dom Manuel, encontro caído na calçada um passarinho, assim identifiquei.


Era miúdo, cabia na palma da mão. Aproximei-me, ele estava estático com a barriga voltada pra cima e pensei não ter mais vida, mesmo assim, baixei e o peguei. Só aí pude perceber que além de vivo, era um beija flor... uma das coisas mais belas que pude ter nas mãos. Verde metálico tornava-se furta-cor ao trocar de ângulo, o bico de um pretume fosco, parecia um plástico muito delicado, caprichosamente esculpido.


Ele se tremia todo, sem se mexer. Provavelmente havia caído com o peso da chuva em sua plumagem.


Pensei: o que faço agora? Cheguei a direcionar a pergunta ao alto, ao autor de tão linda criatura. Nada de resposta, só a vontade de levá-lo comigo. E assim o fiz, envolvido na minha mão ele foi até o centro da cidade, nesse dia precisei comprar uma rosa para alguém de longe que estava para chegar.


Fomos nós. Eu, preocupadíssimo dele dar seu derradeiro suspiro ali mesmo na minha mão, ele, dormindo, tranqüilo, confortável como em seu próprio ninho. Vez em quando eu dava uma mexida pra garantir que ele já não tinha ido, aí eu olhava bem no seu olho minúsculo e ele olhava pra mim também, certamente assustado, já que meu não é lá muito pequeno.


Mas enfim, criou-se ali uma relação de confiança, ele não me bicaria e eu faria alguma coisa por ele, mesmo sem saber o que.


Chegando em casa, peguei um musgo que usava para artesanato e preparei uma “cama”. Coloquei ao lado um pequeno frasco cheio de água com açúcar (não é néctar, mas já é alguma coisa). Nenhuma reação dele. Resolvi insistir colocando o frasco em contato com o seu bico. Eis que um filete transparente, quase inexistente, começa a sorver com desespero a doce solução.


Ainda sem saber o que ia acontecer, deixei-o quieto e fui colocar a rosa na água. Quando retorno ele não mais estava. Procurei-o agoniado! Por um momento achei que havia voado pela janela, mas não, estava embaixo da mesa, caído novamente. Tentou voar e não conseguiu.


Por medida de segurança para ele, coloquei uma lixeira aramada por cima de sua cama, o que evitaria novas tentativas mal sucedidas.


Fui rapidamente ao supermercado e quando retornei, ele estava com as patas presas na trama da lixeira, como um preso clamando por soltura.


Tudo bem! Vamos tentar mais uma vez, dessa vez juntos.


Peguei-o com cuidado e o coloquei em um de meus dedos, no que ele segurou com firmeza, senti que estava melhor. Confiante, mas com um aperto no coração, tranquilamente estendi o braço através da janela, moro no terceiro andar de um prédio, não forcei nada, não mexi o braço, nem mesmo o dedo.


Uma leve brisa veio e nesse momento ele foi junto, impressionantemente ligeiro, voou pelo céu com toda sua vitalidade, em um rasgo de liberdade, indo de encontro a algum néctar verdadeiro.


Como é bela a natureza!




quinta-feira, 20 de maio de 2010

Lord Von e a Paulistinha

Esse foi o segundo livro que ilustrei e também um dos que mais me diverti.

A história trata de uma relação complicada entre um Waimaraner e uma Fox paulistinha. Sua autora, Elvira Nadai, teve uma grande sensibilidade ao tratar de temas como a morte, além de criar situações divertidíssimas entre os dois.

Para esse livro também fiz o projeto gráfico.

Boa leitura!


chão de infância

algumas coisas acontecem na nossa vida, sem nem mesmo procurarmos ou entendermos o porquê .

Um belo dia fui convidado a participar de uma reunião a respeito de uma coleção de livros infantis. Foram convidados autores, ilustradores e eu (?). O convite partiu de um querido amigo, Fabiano dos Santos, achando eu que seria o responsável pelo design da coleção.

Então os autores e ilustradores foram se apresentando, discorrendo sobre suas vastas experiências com livros infantis, e eu lá, ainda achando que ia me apresentar como designer. Até que, para minha surpresa, o designer se apresenta, já dizendo que vai realizar aquele trabalho.

Pronto! E agora? E o que eu tenho a ver com aquilo tudo?

Até que chega a vez de me apresentar, e não deu outra, tive que ser sincero:

- Sou Sérgio Melo, designer, e não faço a menor idéia porque estou aqui...

Maior que a surpresa foi o meu espanto aos saber que seria um dos ilustradores. Ôpa! Eu que nem sei desenhar direito e cada vez que preciso desenhar é, bem dizer, um parto, ter que ilustrar um livro? Tem alguma coisa errada aí...

Mas não, era verdade mesmo e Fabiano ainda garantiu que eu estava sendo modesto. Pense!

Enfim, passado o momento tenso, veio a responsabilidade de dar conta do livro que foi muito difícil e muito prazeroso. A cada nova página pronta um sorriso meu e outra da minha filha. Ôpa! Acho que estou no caminho certo.

O livro se chama Chão de Infância de autoria da querida Vânia Vasconcelos, também estreante na época, na arte de escrever livros infantis.

Esse, que já está na segunda edição, rendeu alguns outros convites, que logo também estarão por aqui.

Divirtam-se! Para aumentar é só clicar em cima.


por falar em amor...

tenho dois grandes amores, todos em franco crescimento. Um deles é a coisa mais linda e o outro também :). Vitória, a menina mais linda do mundo, é também um embriãozinho de artista. Gosta de arte, mais especificamente de música e desenho. Estuda piano e violino e fez uma apresentação no final do ano passado.

A mãe coruja, quase não consegue filmar direito, até porque tava nos bastidores, mas deu pra registrar um pouquinho desse momento tão especial.


[vídeo: Waleska Félix]

aí fiz um registro numa ilustra que ainda não foi colorida


[imagem: Sérgio Melo]

e a original. Né linda?


[imagem: Waleska Félix]

hoje já tá com os dentes de volta. rs
Por fim uma música que dediquei a ela e pro outro amor também...

The Secret of Kells

Lindo! muito lindo mesmo. A narrativa é interessante, mas visualmente falando, é muito, muito bom.
O filme é uma animação que trata de uma história inspirada no Livro de Kells, também conhecido como Grande Evangeliário de São Columba, é um manuscrito ilustrado com motivos ornamentais, feito por monges celtas por volta do ano 800 AD no estilo conhecido por arte insular.

A linguagem é a de ilustrações para livros infantis, apesar de usar diversas técnicas.




Alguns links sobre o Livro de Kells
:

http://www.youtube.com/watch?v=R2WnkLav0-w

http://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Kells

http://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Book_of_Kells

aprovação pendente

impressionante como algumas frases trazem em si uma potencialidade que encontra um significado individual, ainda que deslocado do seu real sentido.

aprovação pendente de um depoimento ou de um sentimento?

amar



Recentemente me permiti ler poesias e confesso que ainda não entendo algumas (vai ver elas não são pra ser entendidas mesmo), apesar disso, tenho descoberto um novo universo de possibilidades e desenvolvendo uma outra forma de ver as coisas.

Atualmente estou lendo a Antologia Poética de Carlos Drummond de Andrade. Algumas poesias são velhas conhecidas...no meio do caminho tinha uma pedra... outras são pequenos achados, como essa:

Amar
Carlos Drummond de Andrade

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

como?

como pode ser?
como é possível viver sem respirar
e o pássaro sem voar
o palhaço sem fazer rir

eu sem poder falar
um tantim assim
que seja...
não sou eu
não sou eu
alguma outra coisa
que leva meu nome

me arresponda por favor...


[imagem: Sérgio Melo]

Valei-me meu padim!
Tú que tá aí, junto com todos os santos de plantão
intercedei e alumiai...

novos horizontes

âncora


[imagem: Sérgio Melo]

É uma questão de tempo...

Cinco palavras

Frase coluna
Âncora de um sentimento


Firme no porto

espera seu destino:

Ser recolhida

para, enfim, permitir

uma longa

e nova viagem.

fabuloso destino



Qual será meu fabuloso destino?

Tornar ao lugar conquistado?

Buscar outros desconhecidos?


A espera algoz ainda é

a única companheira

certeza, só um desejo

Clareza

Tranquilidade

um luxo


Como pude me distanciar tanto

do que realmente importa?

Feitos

Mal feitos

Colheita


E o que mais tem nessa colheita?

Além da indestrutível espera

há uma resposta junto dela

capaz de modificar

minha vida por completo

É o mais certo


Para cada resposta

um novo caminho


Um

já iniciado

não dá certezas

mas é depositário

de todo o meu querer


Noutro

não vejo um palmo sequer

nebuloso

em essência, duvidoso

Desse, não minto, tenho medo


Não sei se há vida nele

sua pavimentação?

A dor...

aonde vai me levar?

Melhor nem pensar


De volta ao presente

só há a espera

Só.

intervalo pra mais uma canção

essa já está em outro blog que eu conheço bem. Ela bem que poderia ter sido escrita por mim...como ainda não tenho essa capacidade, pego emprestada.

chip

Comprei mais um chip só pra falar com você, mas não deu muito certo. Quando me venderam esqueceram-se de avisar que só se fala quando o outro atende.

Ainda que ele seja azul e infinito, não manda no seu coração...

Pior que agora de posse de dois chips e dois celulares, sofro em dobro por não poder ouvir tua voz.

ausência


[imagem: Sérgio Melo]


O cansaço chega

antes que o restauro

antes que outra palavra mágica.

A vontade é de declinar

Descer

Aquietar


Mas é ilusão

não há quietude em tal situação

há a ausência

do que julgava ser meu

há um sofrer até o fim dos dias

há qualquer coisa sem importância

Não há mais nada...


Triste sina temporária (espero)

a de, mesmo cansado

ter que seguir em frente

pois a palavra final

ainda não existe

ou está presa

assim como eu.

noite adentro




Contando os minutos

como quem costura

uma a uma

miçangas de uma veste

que logo vai brilhar

em um encontro anunciado


Subitamente

o fio se quebra

tudo cai

desfaz-se

sem explicação alguma


E os minutos pesam

como bate-estacas

a bater

a doer

a afundar

a esmagar

Noite adentro

e por toda ela

e além dela


Meu Deus, que provação é essa?

Provas de amor precisam ser assim?

tão demoradas

tão indecisas


De onde mesmo vem a força?

Hoje já não sei mais

nem se ela existe

apesar de especialmente precisada


Que dor imensa

essa que não cessa

que fardo inerte

essa espera


De mão atadas

faminto

quase sem poder ir adiante

vazio

frio


Ela, a espera

Algoz

não se encerra

nem dá trégua

continua castigando

machucando

Noite adentro

e por toda ela

e além dela


Só me restam as palavras

por onde vazam os sentimentos

mas não trazem

a calma

a confiança

a esperança

a sua voz

nem você


Então pra quê elas?

uma daquelas noites...


hoje tô bem down, vesti até preto pra combinar. A noite não foi nada fácil, eterna...e o que me restou? Escrever, escrever e escrever. Os posts que se seguem são frutos de uma desnecessária noite iniciada com uma pequena mensagem, assim, bem pequena mesmo, mas com um efeito devastador.

Que frutos! Quisera eu, não ser merecedor de tais quitutes. São amargos, são escuros, são maduros demais, até.

As vezes fico pensando...estou me tornando uma pessoa melhor? Mais sentimental? Ou será que estou caminhando para um pessimismo?

Que noite...

"tristeza não tem fim, felicidade sim"

terça-feira, 18 de maio de 2010

sua palavra


[imagem: fragmento de 'Water Serpents II' - Gustav Klint]

Você tem o dom
de fazer
desfazer
e meu dia ser feliz.

Um toque de mágica
uma palavra, apenas
uma força tremenda
capaz de içar
todo o sentimento
Denso
Imenso

Umedece
Desmancha
Extermina
Alivia

Não mais o nó
não mais o grito contido
não mais o choro incontido
não mais o escuro
e sim o azul

Um sopro de energia divina
que anima
que levanta
que retorna o sonho
que alimenta o desejo
de ter não só uma palavra
mas todas elas e todas as outras
a serem criadas
principalmente as de carinho
as de cumplicidade
as de amor

Ah, meu amor...
tão poucas são as que hoje recebo

Onde ficaram todas as que me pertenceram?
Faladas
Ouvidas
Sentidas
Guardadas?

Quero te ouvir pra sempre
quero te sentir sem fim.

e agora?


E agora?

E o tempo que era seu
o que faço com ele?

Ficar?
Esperar?
Correr?
Fugir?
Sofrer?
Sorrir?
Doer?
Explodir?

Chorar todo sentimento subtraído
sumariamente retirado
na esperança da soma
será que ainda existe?

É tudo tão fluido
se esvai
vai pra longe
bem longe...

Não vai!
Fica!

Mas vai
livre de qualquer obrigação
da difícil situação
da tão dita decisão
um dia minha
hoje sua
quem me dera novamente minha

Ai quem me dera...

No meio disso tudo
onde fica o infinito?
onde sempre esteve
onde sempre vai estar.

inverno



Tão perto
tão longe
tão doído.

Azul ou preto?
Outono?
Cadê a primavera?
E a minha dignidade?

Onde eu estava que não cheguei a tempo?
Inverno


Cedinho, cedinho
sozinho.
Carinho?
Janela suada
Inverno? Inverno.

Não acaba...
Quando?
Quando?

Será?


incursões fotográficas

apesar de não saber fotografar profissionalmente, gosto muito e pretendo desenvolver mais esse lado. Enquanto o conhecimento não chega, sobram as incursões intutitivas nessa bela arte.












[imagens: Sérgio Melo]

diário gráfico



em 2008 promovi um workshop de construção de diários gráficos com Renato Alarcão e é óbvio que eu participei.

Pois então, de lá pra cá a vontade era grande de por em prática o que foi visto na oficina mas nunca dava tempo. Sabe aquelas coisas que a gente vai deixando pra depois? Pois é, mas enfim, ano passado resolvi encarar o desafio e não me arrependi.

Desde então sou assíduo visitante do meu próprio diário gráfico além de fazer alguns caderninhos costurados a mão para vender (www.kolho.aquitanda.com), mas o bom mesmo é colocar desenhos, colagens, poesias e o que mais der na telha, nesse espaço livre de qualquer medo ou autocrítica.

Em seguida, algumas das páginas que já fiz.







[imagens: Sérgio Melo]

a ti ofereço


[imagem: Sérgio Melo]

a pouquíssimo tempo senti uma imensa necessidade de escrever algumas palavras de uma forma bela para alguém mais que especial. Desde então parece que destampou alguma coisa aqui por dentro e agora não para mais de vim novas construções. Se são boas ou não, pouco importa.

Pra mim tem sido um processo bem interessante de organização de idéias em palavras, porém de forma pictórica. Hoje são totalmente ligadas a uma situção presente, quiçá mais na frente, outros assuntos virão.

Em seguida o texto abridouro dessa nova dimensão.


A ti ofereço
o meu amor
há tempos sentido
e agora fortalecido, aumentado, infinito.

A ti ofereço
velharias rutilantes
memórias concretas
incompletas
reminiscências do que há por vir
Há que se ter fé...

A ti ofereço
noites e noites a fio
tecidas no mais puro amor
de trama firme
de urdume terno
noites que viram a gente
(ou será a gente que vira as noites?)

E são criativas

e são profundas
e quentes
impossíveis fisicamente
mas, sobretudo, nossas.

A ti ofereço
poesia não pensada
bem sentida nos pequenos momentos partilhados
e noutros desejados

A ti ofereço
um mergulho no azul piscina
e o retorno a superfície de sonhos lançados
nunca esquecidos
apenas adormecidos

A ti ofereço
mais que ombro, um colo
mais que abraço, carinho
mais que mão nos cabelos
Re pouso

A ti ofereço
o meu amor somado ao seu
para o crescimento saudável do meu amor somado ao seu
e o meu amor somado ao seu, quiçá a gerar
um outro meu amor somado ao seu
ainda não pensado
e desde já desejado

A ti ofereço
palavras, ações
palavras, canções
construções
palavras sem forma, essência
palavras não ditas e também as repetidas
palavras não mais guardadas,
verdades

A ti ofereço
meu corpo
meu dorso
minha fissura
meu prazer livre de qualquer distorção
belo e cuidadoso
forte e carinhoso
intenso, tenso, relaxado.

A ti ofereço
criações conjuntas...tão finas, tão lindas!
possibilidades
amenidades
novas realidades

A ti ofereço
como outrora falado
agora confirmado
a minha vida!
Completa e irrestrita
TOTAL
com total desapego
com visceral apego a você
meu amor.

o que eu sei...



...não vou dizer que só sei que nada sei, porque tenho aprendido algumas coisas ao longo do tempo, principalmente de uns tempos pra cá onde tenho me descoberto a fórceps e sendo furnido a ferro quente.

Mesmo assim reconheço que ainda tenho muito a aprender e este blog vem fazer parte desse processo.

A intenção é mostrar alguns pensamentos visuais e verbais, além de outras coisas que julgar interessante constar. Não tenho o objetivo de escrever compêndios e sim de experimentar e compartilhar com quem estiver afim de curtir um pouco de arte, poesia, design e outros recortes sutis da vida, coisas que sei e também das que (ainda) não sei.