Contando os minutos
como quem costura
uma a uma
miçangas de uma veste
que logo vai brilhar
em um encontro anunciado
Subitamente
o fio se quebra
tudo cai
desfaz-se
sem explicação alguma
E os minutos pesam
como bate-estacas
a bater
a doer
a afundar
a esmagar
Noite adentro
e por toda ela
e além dela
Meu Deus, que provação é essa?
Provas de amor precisam ser assim?
tão demoradas
tão indecisas
De onde mesmo vem a força?
Hoje já não sei mais
nem se ela existe
apesar de especialmente precisada
Que dor imensa
essa que não cessa
que fardo inerte
essa espera
De mão atadas
faminto
quase sem poder ir adiante
vazio
frio
Ela, a espera
Algoz
não se encerra
nem dá trégua
continua castigando
machucando
Noite adentro
e por toda ela
e além dela
Só me restam as palavras
por onde vazam os sentimentos
mas não trazem
a calma
a confiança
a esperança
a sua voz
nem você
Então pra quê elas?

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